Conass ataca decisão do governo de parar vacinação de adolescentes sem comorbidades

 O Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) também assina nota contra medida anunciada pelo Ministério da Saúde

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) divulgaram uma nota oficial, nesta quinta-feira (16/9), na qual reagem duramente ao posicionamento do Ministério da Saúde de suspender a vacinação em adolescentes sem comorbidades.

Os conselhos afirmaram que manifestam “profundo lamento às recentes decisões do Ministério da Saúde na operacionalização da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Covid-19, com orientações sem qualquer consulta prévia às representações estaduais e municipais da gestão do Sistema Único de Saúde ou mesmo à Câmara Técnica Assessora do Programa Nacional de Imunizações (PNI)”.

Os representantes de gestores estaduais e municipais prosseguem com as críticas:

“Ao implementar unilateralmente decisões sem respaldo técnico e científico, coloca-se em risco a principal ação de controle da pandemia. Apesar de a vacinação ter levado a uma significativa redução de casos e óbitos, o Brasil ainda apresenta situação epidemiológica distante do que pode ser considerado como confortável, em razão do surgimento de novas variantes”, registra a nota.

Conass e Conasems reafirmam, no texto, confiança na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e “nas principais agências sanitárias regulatórias do mundo, que afirmam a segurança e eficiência da vacina Comirnaty, da Pfizer, para crianças com 12 anos de idade ou mais”.

Os dois conselhos reafirmam confiança na Organização Mundial da Saúde (OMS), “que recomenda a aplicação desse imunizante após o término da vacinação dos públicos de risco prioritários”.

“Quando o próprio Ministro da Saúde aponta, em entrevista coletiva, que ocorreram pouco mais de 25.000 aplicações de vacinas diferentes daquela recomendada para os adolescentes, temos que primeiramente considerar se o dado é real, uma vez que erros de registro vêm sendo identificados, tanto por eventual esgotamento dos servidores, como por dificuldades relacionadas aos sistemas de informação”, continua a nota.

“Importante considerar também que o montante referido anteriormente representa 0,75% das mais de 3,5 milhões de doses já aplicadas neste grupo populacional. Enquanto executores desta importante política pública, Conass e Conasems, baseados nos atuais conhecimentos científicos, defendem a continuidade da vacinação para a devida proteção da população jovem, sem desconsiderar a necessidade de priorizar neste momento dentre os adolescentes, aqueles com comorbidade, deficiência permanente e em situação de vulnerabilidade”, finaliza a nota.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que os jovens sem doenças crônicas que receberam a primeira dose não devem completar a imunização com a segunda aplicação.

Em entrevista coletiva na sede da pasta, em Brasília, na tarde desta quinta, além de alegar que há registro de cerca de 1,5 mil eventos adversos à vacina em adolescentes e atribuir a suspensão da campanha ao que chamou de “desorganização” dos estados e municípios, Queiroga afirmou que há casos em que vacinas como AstraZeneca, Coronavac e Janssen foram aplicadas nesse público.

Neste momento, a vacina da Pfizer é a única aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a faixa entre 12 e 17 anos no Brasil. O laboratório Janssen recebeu autorização para condução de estudos com menores de 18 anos e está realizando a pesquisa.

Segundo o ministro, a determinação é uma medida de segurança. “Aqueles sem comorbidades, independentemente da vacina que tomaram, não tomem outra, por uma questão de cautela. Os com comorbidades podem completar o esquema vacinal”, frisou. 

A Anvisa afirmou que está investigando se a morte de um adolescente de 16 anos dias após a aplicação da primeira dose da vacina da Pfizer contra a Covid-19 tem relação com a imunização. No entanto, a agência declarou que, até o momento, “não existem evidências que subsidiem ou demandem alterações nas condições aprovadas para a vacina”.

A morte investigada é de uma adolescente de 16 anos de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, ocorrida em 2 de setembro, oito dias após a jovem tomar a vacina. Ainda não há evidências para ligar a morte à vacina ou para descartar a relação.

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