Futuro incerto: fim do auxílio emergencial vai deixar milhões em situação de vulnerabilidade

 Governo diz que vai lançar novo programa de transferência de renda, mas número de pessoas beneficiadas vai diminuirnload

Indefinição pode deixar milhões de pessoas desassistidas                     

As últimas parcelas do auxílio emergencial, pago a famílias em situação de vulnerabilidade durante a pandemia, começaram a ser depositadas nesta segunda-feira (18), mas o governo federal ainda não oficializou qual será o futuro do programa. A menos de duas semanas do fim do mês, a indefinição traz insegurança a milhões de pessoas.

Diretora de Relações Institucionais da Rede Brasileira de Renda Básica, a ativista Paola Carvalho alerta para o clima de incerteza entre quem recebe o benefício: "Os relatos que nós recebemos, pelo atendimento que a gente faz às pessoas em relação ao auxílio emergencial, são de completo desespero".

Ela alerta para o risco de aumento ainda mais intenso da extrema pobreza. Para a ativista, a perspectiva de muitas famílias "é de não saber o que fazer para sobreviver a partir do mês que vem". 

Paola Carvalho ressalta que é preciso discutir não apenas o auxílio emergencial, mas um programa de renda permanente, frente às cenas de horror da busca da população por alimentos, "É a fila do osso, os pés de galinha e as pessoas buscando comidas vencidas e estragadas no caminhão de lixo. Um Brasil que muitas vezes o governo finge não existir".

Nesta segunda, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que "Se Deus quiser, nesta semana resolveremos a extensão do auxílio emergencial". Ele não deu qualquer detalhe, não especificou valores ou prazos. As afirmações foram vistas como uma sinalização de que o benefício será prolongado, mas vão contra o discurso atual do governo.

O plano oficial é substituir o auxílio e o Bolsa Família por um novo programa de transferência de renda, que seria pago a partir de novembro. No domingo (17), o ministro da Cidadania, João Roma, reafirmou essa intenção. 

O número de pessoas atendidas, no entanto, ficará bem abaixo do que abrange o benefício da pandemia atualmente. Em entrevista para a TV Brasil, Roma disse que o governo pretende pagar o novo auxílio a 17 milhões de trabalhadoras e trabalhadores.

Paola Carvalho lembra que o número de atendidos hoje, oficialmente, é superior a 30 milhões. "Mesmo a ampliação do auxílio emergencial por um mês - para ganhar tempo na discussão da Medida Provisória do Auxílio Brasil - ou a transformação para o Auxílio Brasil, significaria o atendimento de apenas 17 milhões de famílias".

Ela destaca também o processo de enxugamento do benefício: "Nós começamos com o auxílio emergencial para 68 milhões de pessoas. Ainda em 2020, reduziu-se em 14 milhões de pessoas. Significa que o país, ainda durante o auge da pandemia, perdeu um Bolsa Família inteiro", relata.

"Na virada para 2021, nós passamos os quatro meses em que a mortalidade foi maior sem o auxílio emergencial. Ele foi retomado em valores muito menores do que a necessidade da população. Lembrando que R$ 150 pagam aproximadamente um botijão de gás e um saco de arroz", finaliza a ativista.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

MPF denuncia bolsonarista por ameaças contra Barroso

Copa do Nordeste 2023: Sport vence o ABC por 1 a 0 e será adversário do Ceará na final da Copa do Nordeste

De volta ao Vale do Javari, governo federal instala base da PF e promete reforço na segurança

Planalto deve entregar pedidos de impeachment de ministros do STF hoje

Série B: Remo vence Náutico e avança na tabela. Vila vence clássico em Goiás e se afasta do Z4. Vasco vence fora de casa e já é 7°

A extrema direita descobriu os direitos humanos após 8 de janeiro?

Estaduais 2022: Catarinense tem início nesta tarde com Chapecoense em campo, tentando esquecer 2021. Confira o regulamento

Série B 2023: na abertura da 2ª rodada, Atlético-GO, Botafogo-SP e Criciúma saem vendedores. Confira

Palmeiras bate o Ceará em jogo atrasado e volta a sonhar com título

Liga Europa: começa hoje as 16 avos da 2ª maior competição europeia