Fux sobre atos contra o STF: 'Vamos esperar que haja invasão? Não'

 Presidente do Supremo afirma que a Corte tem por dever tomar medidas preventivas à ocorrência de um delito. "É preferível evitar que o cão morda", disse

presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, defendeu o inquérito em tramitação na Corte que apura a produção de notícias falsas e ofensas contra magistrados da Corte e disse que o Supremo acerta ao estabelecer medidas preventivas contra alguns dos alvos da investigação.

Na semana passada, o relator do inquérito, ministro Alexandre de Moraes, determinou a busca e apreensão de aparelhos eletrônicos, celulares e outros documentos de 10 pessoas que organizavam uma manifestação para o 7 de Setembro, em Brasília, com a promessa de invadirem e depredarem o prédio do STF. O cantor Sérgio Reis e o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) foram alguns dos alvos.

De acordo com Fux, a Constituição estabelece que ameaças constituem um tipo de ilícito capaz de ser sindicado pelo Judiciário, e que, portanto, cabe à Justiça tomar alguma medida de prevenção para impedir que o ilícito ocorra de fato.

O ministro destacou que, em regra, o Judiciário deve sempre procurar o Ministério Público antes de estabelecer alguma medida preventiva. Contudo, alertou que "se a remessa ao Ministério Público frustrar a prestação de justiça, é preciso agir rapidamente concedendo medida de urgência, que às vezes são drásticas, de restrição de bens e de liberdade".

"Se um cidadão anuncia que está montando uma operação para invadir o STF, nós vamos esperar que haja essa invasão? Não. Temos que agir imediatamente, e, a posteriori, mandar os autos para o Ministério Público", afirmou o ministro, nesta quinta-feira (26/8), durante um evento promovido pela XP Investimentos.

Segundo ele, há vezes em que audiência entre as partes se dá previamente à tomada de decisão da Justiça, mas há momentos em que ela deve ocorrer depois "para não frustrar os fins de justiça e o dever que o Estado tem de prestar a sua jurisdição, evitando que a lesão ocorra".

"É preferível evitar que cão morda. Se nós sabemos que estão sendo arquitetados atos antidemocráticos que podem gerar consequências gravíssimas, é dever do Judiciário utilizar a determinada tutela de urgência. Se nós sabemos que o crime está no caminho da consumação e que não há tempo suficiente para ouvir interessados, a própria lei diz que o juiz deve agir se verificar que há cometimento de crime", acrescentou Fux.

Comentários

  1. E contra o NarcoTrafico? Por que vcs não tomam a mesma medida? E as centenas de herdeiros das terras indígenas na porta do STF pendurando bandeira ofensiva ao Presidente Eleito na Democracia, não é risco?

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

MPF denuncia bolsonarista por ameaças contra Barroso

Copa do Nordeste 2023: Sport vence o ABC por 1 a 0 e será adversário do Ceará na final da Copa do Nordeste

Ibaneis Rocha presta depoimento em investigação sobre Bolsonaro no TSE

De volta ao Vale do Javari, governo federal instala base da PF e promete reforço na segurança

Planalto deve entregar pedidos de impeachment de ministros do STF hoje

Série B: Remo vence Náutico e avança na tabela. Vila vence clássico em Goiás e se afasta do Z4. Vasco vence fora de casa e já é 7°

A extrema direita descobriu os direitos humanos após 8 de janeiro?

Estaduais 2022: Catarinense tem início nesta tarde com Chapecoense em campo, tentando esquecer 2021. Confira o regulamento

Série B 2023: na abertura da 2ª rodada, Atlético-GO, Botafogo-SP e Criciúma saem vendedores. Confira

Palmeiras bate o Ceará em jogo atrasado e volta a sonhar com título