Mais de 500 famílias camponesas ocupam terras improdutivas na Bahia

 Ações fazem parte da Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária do MST

Em 2022, famílias foram despejadas da Fazenda Mata Verde e tiveram plantações e moradias destruídas - MST BA

Três latifúndios improdutivos foram ocupados por trabalhadores e trabalhadoras rurais neste fim de semana no estado da Bahia. 

Mais de 500 famílias camponesas integram as ações que fazem parte da Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

No município de Guaratinga, extremo sul do estado, 118 famílias reocuparam a fazenda Mata Verde no sábado (22). Desde o ano passado, o MST denuncia a improdutividade da área e a violência de despejos que ocorreram na região.

Centenas de pessoas chegaram a ficar na beira da estrada, sem abrigo, por dias, após uma operação de retirada realizada em 2022.

Na madrugada de domingo (22), cerca de 200 famílias ocuparam 4 mil hectares de terras improdutivas na região do Salitre, em Juazeiro do Norte. No baixo sul do estado, também houve ocupação na fazenda Jerusalém, no município de Jaguaquara.

Historicamente, as duas áreas também são palco da luta pela terra e pelos direitos do povo do campo. O Rio Salitre, afluente do São Francisco, sofre com a degradação há décadas. Populações da região foram obrigadas a mudar modos de vida por causa da seca. Já a Fazenda Jerusalém chegou a ser desapropriada em 2004, por não cumprir função social.

Jornada 

Desde o início de abril, o MST realiza mobilizações em 18 estados com participação de cerca de 20 mil pessoas. O mês marca uma das tragédias mais simbólicas da luta pela terra no Brasil. Em 1966, a polícia do Pará matou 21 camponeses que participavam de uma manifestação.

Cerca de 1,5 mil pessoas estavam acampadas no local conhecido como curva do S, em Eldorado do Carajás, sudeste do estado. O objetivo era marchar até a capital Belém e conseguir a desapropriação da fazenda Macaxeira, ocupada por 3,5 mil famílias sem-terra na ocasião. 

A caminhada havia começado em 10 de abril. No dia 17 do mesmo mês, 155 policiais deram andamento à operação, que ficou conhecida como Massacre de Eldorado dos Carajás. Entre as vítimas, há registros de pessoas que foram alvejadas por tiros na nunca e na testa, um sinal explícito de execução. 

Em 2023, quase trinta anos após o crime, a jornada de lutas segue, com o lema "Reforma Agrária, contra a fome e a escravidão: por Terra, Democracia e Meio Ambiente". Além das ocupações, o movimento popular organizou atos políticos, plantio de árvores, doações, negociações e marchas. 

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