Ibama diz que Facebook deixou 'intencionalmente' de combater tráfico ilegal de animais na rede

 Na íntegra de multa de R$10 milhões, Ibama ponderou que sem a plataforma, não haveria “contato seguro com o traficante”

Anúncios de animais silvestres no Facebook e Whatsapp motivaram autuação da empresa - Imagem: Renctas

No dia 1 de julho de 2022, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou uma multa de R$ 10,1 milhões no Facebook, por permitir a venda de animais silvestres nativos sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade ambiental competente.

Agora, via Lei de Acesso à Informação (LAI), divulgada pelo coletivo Fiquem Sabendo, o governo liberou o inteiro teor da infração. Na multa, o Ibama classifica como “significativa” a consequência do delito do Facebook para o meio ambiente e à saúde pública e o órgão determina, ainda, que a motivação foi “intencional.”

Um levantamento feito pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), citado no relatório da multa, revelou que nos anos de 2020 e 2021, 2.227 animais de espécies da fauna silvestre nativa e 410 animais da fauna silvestre exótica foram expostos para venda nas plataformas do Facebook e Whatsapp.

No Relatório de Fiscalização, o Ibama explica que a plataforma, “possibilita que compradores acessem traficantes em diferentes partes do país”. “A feira virtual possui vantagens sobre a física no âmbito de diminuir os riscos aos compradores e, também aos vendedores ilegais que se escondem sob o manto do anonimato na internet."

"Em uma situação de feira física, alguém de Curitiba (PR) que quisesse comprar ilegalmente uma Corallus (cobra papagaio) provavelmente teria que se deslocar até Belém (PA), frequentar feiras e tentar encontrar um traficante que tivesse este animal para lhe ofertar. A empreitada envolveria vários riscos e, muitas vezes, estes riscos seriam desestimulantes ou proibitivos para o interessado.”


Anúncio de cobra em grupo fechado do Facebook / Imagem: Renctas

No mesmo levantamento, a Renctas calcula que aproximadamente 10 milhões de mensagens são trocadas diariamente, em grupos de Whatsapp destinados a comercialização de animais silvestres.

No Facebook, a quantidade de anúncios era tão grande que o Ibama desistiu de autuar os autores e focou na rede social. “Não fosse a plataforma, provavelmente, vários interessados e traficantes não conseguiriam se contatar além daqueles que interagem promovendo escambo de animais. Assim, embora a plataforma busque se eximir de responsabilidade, ela atua como alguém que oferece o local com as condições e segurança ideais para que o crime ocorra.”

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cariocão 2023: Flamengo e Resende fazem partida isolada neste sábado

Série A: Galo visita Bahia e pode ser campeão brasileiro hoje. Grêmio tenta respirar recebendo o São Paulo. Athletico-PR e Cuiabá jogam para fugir do Z4. Sport, rebaixado, recebe a visita do Fla

FMI: previsão de crescimento pra América Latina em 2021 salta, mas Brasil vê projeção despencar

Gabriel Boric é eleito presidente e esquerda volta ao poder no Chile

Em nova renúncia em massa na Educação, 52 profissionais da Capes se demitem; veja repercussão

Hostilidade e frustração: entenda cenário que marca hoje a relação entre Bolsonaro e o Senado

Tese da legítima defesa da honra é inconstitucional, decide STF

Baianão 2023: Barcelona só empata e corre risco de rebaixamento. Confira as chances de cada um

Série C 2023: três vitórias de mandantes e dois empates neste sábado (20). Confira

'Genocídio legislado': Lira quer votar marco temporal das terras indígenas na próxima semana