Trabalhadores bolivianos são resgatados de situação análoga à escravidão no interior de SP

 Grupo de quatro trabalhadores tinha ainda duas crianças, que estavam em creche no momento do flagrante

Migrantes bolivianos estavam em situação degradante em oficinas de costura - Divulgação

Quatro trabalhadores bolivianos foram resgatados de condições análogas à escravidão em duas oficinas de costura na cidade de Americana, interior paulista. O grupo tinha ainda duas crianças, que estavam em uma creche próxima ao local do flagrante.

Os trabalhadores foram resgatados por um grupo de fiscalização coordenado por Auditores-Fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, composto também por integrantes do Ministério Público do Trabalho, da Defensoria Pública da União e da Polícia Rodoviária Federal, em ação realizada no último dia 18 (terça-feira).

Eles eram submetidos a jornadas exaustivas de trabalho e estavam em condições degradantes. O local onde dormiam tinha iluminação precária, com grande risco elétrico, com tomadas e emendas em fiações expostas e remendadas com fita adesiva não isolante.


Grupo tinha crianças, e as instalações ofereciam grande risco elétrico / Divulgação

Os trabalhadores viviam em espaço onde havia máquinas de costura e roupas secavam em um varal improvisado. Tecidos e roupas obstruíam os corredores, bloqueando rotas de fuga que poderiam ser usadas em caso de emergência.

A falta de higiene era desoladora. Cozinha e banheiro estavam sem água - o fornecimento havia sido cortado por falta de pagamento. Ou seja, os trabalhadores e crianças sequer tinham água potável para beber. Nos dormitórios, havia restos de comida e bebida.

Segundo uma das trabalhadoras, o grupo trabalhava das 7h às 22h30, de segunda-feira a sábado, Eles só tinham recebido uma pequena quantia em dinheiro em dois meses de trabalho, devido a supostos adiantamentos pagos aos donos das oficinas (o que configura retenção de salário). 

A maior parte das roupas era enviada para uma empresa de São Paulo, que foi acionada para assinar um Termo de Ajustamento de Conduta proposto pelo Ministério Público do Trabalho e pela Defensoria Pública da União. A empresa pagou, ainda, as verbas rescisórias, como aviso prévio, além de reparação de danos morais, no valor de R$ 4 mil para cada trabalhador.

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