Roteiro das primeiras viagens do presidente Lula indicam o fortalecimento de diversos polos de poder
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e presidente da República Popular da China, Xi Jinping em Cerimônia Oficial de Recepção
O presidente Lula embarcou, nesta quinta-feira(20), para Portugal e Espanha. A viagem acontece depois das visitas à China e aos Emirados Árabes Unidos.
A agenda do presidente ainda não foi confirmada, mas especula-se que ele deve tratar de temas como o acordo entre União Europeia e o Mercosul e participar das solenidades em alusão à Revolução dos Cravos.
Para a professora de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, Tatiana Berringer, o roteiro das viagens do presidente neste início de governo tem sugerido o empenho dele em construir uma nova ordem internacional, de caráter multipolar.
"Há uma diferença muito grande em relação ao governo anterior, quando o Brasil começou a ser temido e acusado por outros países por causa da sua política ambiental e da sua política democrática. O Brasil pode sim ter um papel importante. A gente não vai deixar de ser um Estado que ainda está buscando se reindustrializar, com seus desafios internos de combate às desigualdades, mas acho que o Brasil pode jogar um papel muito importante na construção de uma ordem multipolar", apontou.
Ela fez este comentário durante entrevista ao programa Central do Brasil desta quinta-feira(20), ao abordar também outros aspectos da política externa brasileira.
Um dos assuntos comentados pela professora foi a sugestão do presidente de Lula de que os países do Brics não usem o dólar como lastro para negociações entre os membros do bloco.
"Não é uma ruptura do padrão dólar e da hegemonia americana. Mas é uma busca de autonomia importante e pode facilitar o comércio entre essas regiões", explicou.
Sobre as declarações do presidente Lula sobre a Guerra na Ucrânia, ela explicou que só "confirma que o Brasil é uma país que quer buscar a paz".
"A fala de Lula chamando a atenção dos EUA e da Europa foi para saber qual o caminho para a paz. O Brasil quer não só protagonizar, mas construir uma nova ordem mundial", concluiu.
A entrevista completa você acompanha na edição desta quinta-feira(20) do programa Central do Brasil.
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