Nas ruas pelo país, centrais e movimentos pressionam Copom por diminuição da taxa de juros

 Entidades querem a saída do presidente do Banco Central, Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro

Na capital paulista, centrais distribuíram sardinhas à população na Avenida Paulista

Representantes das centrais sindicais e de movimentos populares foram às ruas em todas as regiões do país nesta terça-feira (21) para pressionar o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que, no mesmo dia, deu início à reunião que vai definir se haverá mudança na taxa básica de juros (a Selic). As centrais querem que a taxa, atualmente em 13,75% anuais, seja reduzida.

As centrais querem mudança da política monetária conduzida pelo BC. O banco é presidido pelo bolsonarista Roberto Campos Neto, e o governo chefiado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não pode mudar a Selic, graças à autonomia do BC, que foi determinada em legislação assinada em 2021, ainda durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

"Campos Neto é um sabotador do nosso país. Por isso, nós queremos dar o recado aqui: esses caras que estão reunidos nesse conselho monetário [Copom], dizem que são independentes, mas eles foram capturados pelo sistema financeiro. A visão de Brasil deles e a economia deles foram derrotadas em outubro. E [eles] têm que ter vergonha na cara, pegar o boné e ir embora", disse o presidente da CUT Nacional, Sérgio Nobre.

No ato da capital paulista, que teve a participação de Nobre, foram assadas e distribuídas sardinhas, que foram entregues à população para chamar atenção sobre os problemas causados pelos juros altos. O peixe foi escolhido para fazer referência aos "tubarões" do mercado financeiro, principais beneficiário das altas taxas de juros.


Centrais querem a saída de Campos Neto do Banco Central 

No dia a dia

Segundo levantamento da gestora de investimentos Infinity Asset Management em mais de 150 países, o Brasil tem hoje a maior taxa de juros reais (calculados quando o índice de inflação é abatido da taxa básica de juros) em todo o planeta. São quase 8 pontos percentuais de diferença entre os 13,75% da Selic e a inflação oficial dos últimos 12 meses, que está em 5,77%.

Essa situação favorece especuladores financeiros - os tais "tubarões" - , já que o dinheiro investido rende mais parado do que sujeito às incertezas da "economia real", que gera empregos.  Os índices de juros têm grande influência em praticamente todos os setores da economia, como as taxas de inflação e empréstimos bancários.

"Diminuir o juros vai gerar mais empregos, melhorar os investimentos na indústria e no comércio e aumentar o crédito para a população", disse o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna.

Os atos pela queda dos juros reuniram representantes das centrais sindicais CUT, Força Sindical, CTB, UGT, CSB, NCST, CSP Conlutas, Intersindical, A Pública -, e movimentos sociais como o Povo sem Medo e Frente Brasil Popular. 

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