Exército punirá oficiais que comemorarem golpe

 Uma das preocupações é um almoço organizado por oficiais da reserva, sob a alcunha de "Movimento Democrático de 1964"

Na semana passada, as Forças Armadas determinaram que os oficiais filiados a partidos políticos façam a desfiliação - Agência Senado

O Exército irá punir os oficiais que celebrarem o golpe militar de 1964, conforme afirmou o comandante da força, o general Tomás Paiva, a interlocutores, segundo apuração da Folha de S. Paulo.

Uma das preocupações é um almoço que ocorrerá nesta sexta-feira (31), às 11h30, no Clube Militar do Rio de Janeiro, organizado por oficiais da reserva, sob a alcunha de "Movimento Democrático de 1964".

De acordo com o site do Clube Militar, o evento ocorrerá na Sede Esportiva Lagoa, "com a finalidade de comemorar o 59° aniversário do movimento democrático de 1964". Apesar de ser um encontro realizado por oficiais da reserva, é comum a participação de militares da ativa, uma vez que muitos são familiares.

A decisão de Tomás Paiva se soma ao cenário construído pelo Ministério da Defesa, que tomou a posição de não emitir nenhum comunicado sobre a data a fim de evitar crises dentro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na semana passada, as Forças Armadas determinaram, inclusive, que os oficiais filiados a partidos políticos façam a desfiliação.


Lula ao lado do general Tomás Miguel Ribeiro Paiva, novo comandante do Exército

De outro lado, o Ministério dos Direitos Humanos, sob a chefia de Silvio Almeida, organizou a "Semana do Nunca Mais" nesses últimos dias com o objetivo de preservar a memória, a verdade e a justiça acerca da ditadura militar.

Durante o evento, Almeida afirmou que "rechaçar os crimes e as violações de direitos humanos ocorridos na ditadura civil-militar brasileira não significa criticar as Forças Armadas, mas apontar para um período da história que todos, sem exceção, devem deixar para trás. E isso não se dará silenciando sobre este período, mas conhecendo-o profundamente para que não deixemos que se reproduza no presente, como hoje o faz por lamentáveis atos de violência e ameaças contra cidadãos e instituições democráticas".

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