Moro atuou por extradição na Lava Jato, suposto agente infiltrado do ex-juiz depõe à PF

 Mensagens mostram que Sergio Moro pressionou procuradores para que funcionário da Odebrecht fosse extraditado

Ex-juiz Sergio Moro - Agência Senado

Segundo mensagens obtidas pelo UOL, o ex-juiz Sergio Moro pressionou de forma irregular procuradores da Operação Lava Jato para que fosse solicitada a extradição de Fernando Migliaccio, um dos responsáveis pelo departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, que estava preso na Suíça, em 2016. As mensagens foram encontradas pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Spoofing, que investiga o hackeamento de aplicativos de mensagens de Moro e dos procuradores da Lava Jato. 

As mensagens foram trocadas com Orlando Martello, um dos procuradores envolvidos na Lava Jato, colegas e autoridades suíças. De acordo com o conteúdo das conversas, apesar de pressionar pela extradição, posteriormente Moro aceitou retardá-la. Naquele mesmo ano, Migliaccio voltou ao Brasil e fechou um acordo de delação premiada.  

“Você se lembra que eu já solicitei a extradição do Migliaccio? Eu fiz isso por causa do pedido do juiz. O Sergio Moro estava me pressionando a fazer isso. Você acha que o pedido de extradição tem algum efeito em nosso pedido de MLAT [Tratado de Assistência Legal Mútua] para ouvi-lo lá na Suíça? Se sim, talvez possamos suspendê-lo (como o Vladmir lhe disse hoje), mas apenas por um curto período”, afirma Orlando Martello em mensagem a autoridades de Berna, capital da Suíça, em 17 de março de 2016.  

Foi também de maneira extraoficial que procuradores da Lava Jato souberam, por meio de informações na Suíça, que o executivo Marcelo Odebrecht teria determinado o pagamento de propina em diferentes países.

"Temos provas (e-mails apreendidos) de que Marcelo [Odebrecht] está diretamente envolvido e deu ordens a Fernando [Migliaccio] para fazer pagamentos ilícitos”, disse o procurador Stefan Lenz, que comandava as investigações sobre a Lava Jato na Suíça, em 9 de março de 2016. "Vocês devem fazer um [pedido de] Assistência Mútua Legal para interrogá-lo na Suíça e ter acesso a todos os dados que apreendemos", sugeriu ainda o procurador. 

Suposto agente infiltrado de Sergio Moro vai depor à PF  

A pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), o empresário de Curitiba e ex-deputado estadual Antônio Celso Garcia, conhecido como Tony Garcia, vai depor à Polícia Federal (PF) sobre as declarações que fez contra o ex-juiz Sergio Moro. 

Tony Garcia alegou que teria sido obrigado por procuradores e pelo ex-juiz federal Sergio Moro a gravar pessoas ilegalmente depois de aceitar um acordo de delação premiada, em 2004. "Eu fui um agente infiltrado deles", disse Garcia em entrevista à Folha de S. Paulo.  

"Eles [procuradores] me obrigaram a andar com dois telefones deles com microfone aberto. Foi assim que eu gravei o [advogado] Roberto Bertholdo, um monte de gente, para eles. Quando eles pegavam conversas que interessavam, eles levavam ao Moro e ele esquentava as conversas. Fazia como se tivesse autorização judicial, com data retroativa." 


Tony Garcia / Reprodução/Redes Sociais

Garcia disse que levou as supostas ilegalidades ao conhecimento da juíza federal Gabriela Hardt em 2021, mas que a magistrada não teria tomado nenhuma providência. O conteúdo teria sido encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) somente em abril deste ano por decisão do juiz Eduardo Appio. 

Hardt, por sua vez, entrou com uma representação criminal contra Tony Garcia por crime contra a honra. A juíza também deixou o caso ao se declarar suspeita para julgar os casos em que o delator é parte. 

Tony Garcia foi preso pela Polícia Federal em 2004, sob a acusação de gestão fraudulenta do Consórcio Nacional Garibaldi. No mesmo ano, o empresário assinou o acordo de delação premiada. 

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