Petrobras avalia números e pode comprar Braskem. O negócio vale a pena?

 Estatal é sócia da antiga Odebrecht na companhia e tem preferência para assumir seu controle

A Braskem é uma das maiores companhias do mundo do setor petroquímico. A Odebrecht tem 38,3% da empresa e deve vendê-la
A Braskem é uma das maiores companhias do mundo do setor petroquímico. A Odebrecht tem 38,3% da empresa e deve vendê-la - Braskem/Divulgação

A Petrobras anunciou no início deste mês que resolveu analisar dados da Braskem para avaliar a possibilidade de comprar parte da petroquímica e assumir seu controle.

A estatal já é dona de 36% da empresa, que é controlada pela Novonor, antiga Odebrecht, envolvida em casos investigados na operação Lava Jato. A Novonor quer se desfazer da Braskem para saldar dívidas e voltar definitivamente ao mercado.

Por conta da sociedade, a Petrobras tem direito à preferência no negócio. Assumir o controle da empresa pode custar até R$ 35 bilhões à estatal.

A Braskem é uma gigante do setor petroquímico. Produz resinas, solventes, plásticos, entre outras coisas. Boa parte disso é produzido à base de petróleo – especialidade da Petrobras.

A empresa tem clientes em 70 países e 40 unidades industriais, em dez nações. Só no Brasil, tem fábricas em Alagoas, Bahia, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo.

Para o economista Eric Gil Dantas, do Observatório Social do Petróleo (OSP), a compra da Braskem pela Petrobras poderia ser um bom negócio para a estatal. “A Braskem é uma empresa lucrativa, apesar dos últimos resultados, e faria a Petrobras voltar à sua política de expansão, reforçando sua posição no setor petroquímico.”

Já para Mahatma dos Santos, diretor do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), a compra é arriscada. Envolveria altos valores e, para fazer sentido, dependeria dos planos para o futuro da Petrobras.

“Com certeza isso é um risco para a Petrobras, principalmente agora que ela está tentando se inserir de maneira mais pujante no segmento de indústrias renováveis”, ponderou.

Histórico de violações

Dos Santos cita que parte dos riscos ligados ao eventual negócio está relacionado a problemas criados pela Braskem por conta de suas atividades. O caso mais conhecido é o de Maceió. Lá, a mineração da Braskem afundou o terreno de bairros da capital alagoana.

Cerca de 14 mil imóveis foram condenados e cerca de 55 mil pessoas foram obrigadas a abandonar suas residências e seus negócios na região.

Na sexta-feira (21), a Braskem firmou acordo com a Prefeitura de Maceió. A empresa vai pagar R$ 1,7 bilhão ao município para realização de obras e criação de um Fundo de Amparo aos Moradores (FAM).

A finalização do acordo depende de sua homologação na Justiça. O prazo para pagamento da indenização não foi revelado.

Eventuais compradores da petroquímica, em tese, assumem essa dívida e precisarão também recuperar a imagem da empresa.

Gil Dantas considera que a Petrobras teria condições de atuar nisso. “O comportamento da Braskem ajudou a piorar sua imagem. Espero que ela possa ser resgatada com a compra por parte da Petrobras”, disse.

Além da estatal, as empresas Unipar, J&F e fundo Apollo/Adnoc estão interessadas em adquirir parte da Braskem pertencente à Novonor.

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