Lula diz que viu 'poucas vezes' tanto interesse da União Europeia na América Latina

 Presidente se diz otimista com acordo Mercosul-UE e afirma que eleições venezuelanas são caminho para fim de sanções

Em coletiva de imprensa ao final da Cúpula da Celac-UE, Lula avalia reuniões como “extremamente exitosas”, comenta sanções contra Venezuela e guerra da Ucrânia

Nesta manhã (19), Lula afirmou que saiu da Cúpula UE-Celac otimista. Segundo o presidente brasileiro, é inequívoco o interesse da União Europeia em voltar os seus olhos para a América Latina. O chefe de Estado ainda disse que foi possível restabelecer de forma madura as negociações com a União Europeia quanto ao acordo com o Mercosul. O petista também ressaltou que a reunião demonstrou o interesse dos blocos em cooperar para o fim das sanções à Venezuela.

“Pela primeira vez eu senti, definitivamente, a União Europeia interessada em voltar de verdade para a América Latina. Primeiro pela questão do clima. Segundo pela questão energética. Ou seja, a parte do mundo que pode produzir o hidrogênio verde que a Europa precisa é exatamente a nossa querida América do Sul. Acho que conseguimos o intento muito grande que foi restabelecer de forma madura as negociações com a União Europeia”, afirmou o presidente brasileiro.

Para o presidente, o interesse do bloco europeu também perpassa por questões geopolíticas.  

“Eu poucas vezes vi tanto interesse político e econômico dos países da União Europeia com a América Latina. Possivelmente pela disputa entre Estados Unidos e China. Possivelmente pelos investimentos da China na África e na América Latina. Possivelmente pela nova rota da seda. Possivelmente pela guerra. O dado concreto é que a União Europeia demonstrou muito interesse em voltar a fazer investimentos na América Latina anunciando um investimento de 45 bilhões de euros no próximo período”, frisou.

Quanto aos desacordos que ocorreram diante das imposições da UE para a conclusão do acordo com o Mercosul, Lula voltou a afirmar sua posição de que dois parceiros estratégicos não discutem com ameaças, mas com propostas.

“A gente vai ter que aprender que em negociação a gente não ganha tudo o que a gente quer, mas também a gente não cede tudo o que o adversário quer. A gente faz o acordo sobre o possível. É isso que estou disposto, é isso que o Mercosul está disposto, e é isso que vai acontecer”, disse Lula. “Eu estou otimista. Estou muito otimista. Pela primeira vez estou otimista de que a gente vai concluir este acordo ainda este ano”, concluiu.

O presidente disse acreditar que a situação da Venezuela vai ser resolvida quando os partidos do país, junto com o governo, chegarem à conclusão da data da eleição e das regras que vão estabelecer o pleito eleitoral na República Bolivariana. E que, a partir disso, seja estabelecido o compromisso de que as punições impostas pelos Estados Unidos comecem a cair.

O posicionamento do presidente brasileiro vem das tratativas em reunião, que ocorreu na terça-feira (18), com a presença dos presidentes da França, Emmanuel Macron, da Argentina, Alberto Fernández, da Colômbia, Gustavo Petro e com o representante da oposição venezuelana, Gerardo Blyde.

“Eu sinto que depois de tanto tempo de briga, todo mundo está cansado. Eu sinto que a Venezuela está cansada. O povo quer encontrar uma solução. Eu esperava que a gente tivesse a compreensão de que a solução dos problemas da Venezuela é uma questão do povo venezuelano. Se eles se entenderem com relação às regras e às datas das eleições, eu acho que nós temos autoridade moral de pedir o fim das sanções”, afirmou Lula.

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