Ministros do Supremo aprovam indicação de Zanin; Moro e Dallagnol, não: veja repercussão

 Nome do advogado foi confirmado por Lula para ocupar a vaga deixada por Ricardo Lewandowski e agora passará pelo Senado

Indicação de Zanin foi bem recebida por seus prováveis futuros colegas; Sergio Moro não gostou

Figuras relevantes da política e do meio jurídico comentaram a indicação de Cristiano Zanin ao Supremo Tribunal Federal (STF) por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para os atuais integrantes do Supremo, a indicação foi positiva. Figuras da oposição, porém, usaram as redes sociais para tentar desqualificar o nome do advogado.

O decano do STF (ou seja, o ministro mais antigo), Gilmar Mendes, usou o Twitter para demonstrar seu tradicional vocabulário rebuscado e elogiar a "alvissareira notícia" da indicação do "brilhante advogado" por Lula.

Outros ministros foram abordados por jornalistas para comentar o nome do provável novo colega. Para Luiz Fux, a indicação foi "ótima". Já Luís Roberto Barroso desejou boas vindas, e disse que Zanin é um advogado "sério e competente".

Mesmo os indicados por Jair Bolsonaro (PL) ao Supremo falaram palavras elogiosas. O ministro Nunes Marques disse que a indicação é "ótima, muito boa". André Mendonça, por sua vez, desejou sucesso a Zanin na sabatina e votações no Senado, e disse que entende que o indicado de Lula cumpre os critérios para a vaga.

O indicado também recebeu elogios de nomes importantes do meio jurídico. Para o jurista e professor de direito constitucional Pedro Serrano, Zanin "fez história" na defesa de Lula, tendo sido "um defensor da democracia e dos interesses nacionais".


O ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB), que foi juiz federal antes de entrar para a política, também elogiou a indicação. Para ele, Zanin demonstrou "notável saber jurídico", condição necessária para assumir uma vaga no STF.


Encontro marcado

Outro ex-juiz, porém, não ficou satisfeito. O hoje senador Sergio Moro (União Brasil-PR), que deixou a toga para ser ministro de Bolsonaro após ter assinado a sentença que condenou Lula à prisão, disse no Twitter que a indicação "fere o espírito republicano".


Moro, aliás, é um dos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, responsável por sabatinar os indicados ao STF. Ele, portanto, voltará a se encontrar com Zanin, que foi advogado de Lula nos processos julgados por Moro (e posteriormente anulados). Nas redes sociais, pessoas lembraram de alguns dos embates que eles tiveram.


Quem também demonstrou insatisfação foi o ex-procurador da República e deputado federal cassado Deltan Dallagnol (Podemos-PR). Assim como nos tempos de Lava Jato, ele mostrou grande afinidade com Moro. Ao questionar a indicação de Zanin, foi irônico (ou tentou) ao sugerir a indicação da primeira-dama Janja Lula ao TCU em meio a outras postagens em que chama apoiadores a participarem de nova manifestação contra a cassação de seu mandato. A última não teve grande adesão.

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