PF quebra sigilo de celular de assessor de Lira

 Quanto mais mexe, mais fede


Arthur Lira (primeiro da esquerda à direita) e Luciano Cavalcante (terceiro da direita à esquerda) / Reprodução/Instagram

A Operação Hefesto da Polícia Federal (PF), que investiga fraudes em contratos de compra de equipamentos de robótica para escolas em Alagoas, descobriu que Luciano Cavalcante, ex-assessor do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), participava de um grupo de WhatsApp denominado "Robótica Gerenciamento", após quebra de sigilo em seu celular. A informação é da Folha de S. Paulo.

Cavalcante pediu demissão do cargo que ocupava na liderança do PP na Câmara nesta segunda-feira (5). A suspeita é que ele e sua esposa foram beneficiados com os recursos desviados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), de onde saíam os valores para a compra de equipamentos de robótica, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

As investigações da PF apontam que o empresário Edmundo Catunda repassou R$ 550 mil à Construtora EMG, que levantou a residência de Luciano Cavalcante. Catunda é sócio da empresa Megalic, que ganhou as licitações de kits de robótica para escolas de municípios em Alagoas. Roberta Lins Costa Melo, sócia da Megalic, também estava no grupo "Robótica Gerenciamento".

A PF também descobriu que a empresa Megalic e Edmundo Catunda repassaram valores expressivos para Pedro Magno Salomão Dias e Juliana Cristina Batista. Segundo a PF, a "hipótese aventada aqui é que o casal Pedro e Juliana sejam especializados na prática de crimes de lavagem de capitais, ocultando e dissimulando bens, direitos e valores provenientes de desvios de recursos públicos das mais variadas naturezas e oriundos de diversos entes públicos, possibilitando o retorno do capital aos autores dos delitos antecedentes, com alguma aparência de licitude".

Pedro e Juliana, por sua vez, foram fotografados pela PF supostamente entregando dinheiro vivo a Wanderson Ribeiro Josino de Jesus, motorista de Luciano Cavalcante. "Pelas imagens, é possível perceber que os investigados permanecem no interior do veículo (...) por menos de 1 minuto. Neste momento, segundo o relato do policial, é possível afirmar que Pedro Magno deixa 'pacotes de dinheiro' no porta-luvas do veículo Corolla preto." Momentos depois, o motorista teria se dirigido a um apartamento em que estava Cavalcante.

Nesse mesmo dia, a PF afirma que houve uma troca de mensagens intensa entre Pedro e Luciano pelo WhatsApp. "No mesmo sentido, a análise dos dados telemáticos de WhatsApp identificou que Luciano Cavalcante e Pedro Magno trocaram a quantidade de 83 mensagens no curto período entre 09/05/2023 e 21/05/2023", diz o relatório da PF.

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